4.14.2009

MEIO EXÓTICA

Seus chinelos de pano
suas meias de lã
seus costumes insanos
chá com pão de manhã
seus cigarros acesos
suas tantas manias
seus livros nunca lidos
todas as teorias...

Vem você e me diz
que seria minha deusa
logo ri da minha cara
quando finjo surpresa
sonha seus vãos poetas
e reclama do sol
me arranha de fato no ato
rasga nosso lençol

Vê tevê enquanto pintas as unhas
de uma cor meio exótica
nunca define o tom dos cabelos
ora é hippie, ora é gótica
manda beijo pra torcida
mesmo contra minha vontade
muda o verbo de saída
nunca acha que está tarde

Vem você e me diz
que seria minha musa
beijos longos, toda linda
sempre marca minha blusa
com gloss e batom
nada mal, tudo bom
não sonha com nada
que não tenha a forma incerta
desmente, desaba, descarta
e ruma sem rumo
sem mapas nem setas
lá vai ela...
hoje o mundo é todo dela
o mundo dela é todo dela.


parceria com o sumido poeta/músico/amigo Clóvis Struchel

3.24.2009

O BEIJO DELA

Ela beija tão bem
Mas tão bem
Que quando seu lábio
Toca o meu
Sinto aquela chuva fina
Com direito a arco-íris
No céu da boca.
A minha cara na cara dela
Meu sangue correndo na pele amarela
Meu corpo reclamando do pouco
Rasgando o tormento

Meus pés a caminhar trovão
No meio da estrada minha missão
De clarear a vida que escancara
Para ser mais brilho no chão

Ser tanto
No olho da cara
Ser todo
No peito e na raça.

3.10.2009

3.04.2009

A poesia lambe cada poro da minha pele suada
E manda (não pede) que sinta na boca,
Bem lá no céu da boca, esse roçar de enxurrada.